segunda-feira, 7 de maio de 2012

Naming rights versus apelidos

Tarja do Tema em Foco: Negócios do esporte

No país dos apelidos, o desafio de lucrar com um 'Itaquerão'

Clubes sofrem para fechar contratos de naming rights em seus novos estádios. Corinthians enfim achou um interessado. Mas a torcida vai adotar novo nome?

Giancarlo Lepiani, com reportagem de Davi Correia
Ao tentar fechar contratos com grandes empresas, clubes como Corinthians, Palmeiras e Grêmio esbarram na resistência das TVs ao uso dos nomes de fantasia em suas narrações e programas
É dia 12 de junho de 2014. A seleção brasileira de futebol dá o pontapé inicial na segunda Copa do Mundo realizada no país jogando no novíssimo Estádio Santander, em São Paulo. Um mês e 62 partidas depois, chega a data da decisão do Mundial, 13 de julho de 2014 - e o Brasil volta a campo, desta vez no Rio de Janeiro, para conquistar o hexacampeonato no gramado da reformada Arena Petrobras. O leitor mais atento deve ter percebido pelo menos três elementos altamente duvidosos no cenário hipotético descrito acima. Em primeiro lugar, a existência de estádios prontos a tempo do torneio; em segundo, em uma projeção um pouco mais improvável, a presença da seleção brasileira (que, a apenas dois anos da estreia, ainda está sem cara) na finalíssima da Copa; e uma terceira, ainda mais inacreditável, a adoção dos nomes de grandes empresas para se referir aos estádios Itaquerão e Maracanã. Durante o Mundial, eles não teriam mesmo o nome de nenhum patrocinador, já que a Fifa veta esse tipo de propaganda. A esperança dos envolvidos na construção dos estádios do Mundial, porém, era a comercialização dos chamados "naming rights" das arenas para antes e depois do evento, custeando pelo menos uma fração dessas obras multimilionárias. Até agora, no entanto, não existe nenhum negócio fechado - e é não é fácil achar alguém fora dos clubes que acredite no sucesso desses contratos no Brasil. Pelo menos alguns acordos devem sair. Mas aí virá a segunda parte da batalha: fazer o torcedor se acostumar aos nomes corporativos.
Leia também: Por que os grandes clubes do Brasil sofrem para conseguir patrocínios

"É uma questão cultural, algo novo e que demora a se desenvolver", afirma Amir Somoggi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO, ao avaliar a chance de um estádio brasileiro ser conhecido pela marca de seu patrocinador. "É preciso incrementar a plataforma de patrocínio para que uma empresa esteja disposta a pagar os valores pretendidos pelos clubes. Só pelo nome no estádio é pouco." O Corinthians, por exemplo, tenta arrumar alguém disposto a despejar até 40 milhões de reais por ano para dar nome ao seu futuro estádio. Diante da popularização do nome Itaquerão, entretanto, a tarefa mostrou-se duríssima - e só agora o clube engatou uma negociação consistente com uma empresa interessada. De acordo com a coluna Radar de VEJA, as conversas com a Brahma estão avançando, e a Ambev cogita usar o nome de sua centenária marca de cerveja no estádio por 20 anos. Mas será que qualquer outra versão - como "Arena Brahma" - será capaz de ofuscar o título extraoficial, relativo ao bairro da Zona Leste de São Paulo onde o estádio está sendo construído? "O brasileiro gosta de dar apelido para as coisas, é uma questão cultural", lembra Erich Beting, especialista em marketing esportivo. Uma coisa que pesa a favor do Itaquerão, contudo, é o fato de jamais ter sido palco de um jogo sequer. "Tradicionalmente, o naming rights funciona para estádios novos, não para os antigos, que já têm seu nome e suas histórias", diz Beting. "Vai ser difícil tirar o nome do Maracanã, por exemplo."
Leia também: A invasão do esporte na televisão, com novos programas e novos canais

Veto da Globo - O estádio que vai receber a final da Copa não está à procura de patrocinadores no momento. É bem provável, porém, que o Maracanã passe para as mãos da iniciativa privada depois do Mundial - Eike Batista surge como o principal interessado. Nesse caso, existe a chance real de que o estádio mais famoso do planeta ganhe algum nome de fantasia. Na boca do torcedor, contudo, ele jamais deixará de ser o Maracanã. Entre as novas arenas em construção no Brasil, há vários candidatos a um patrocínio batendo de porta em porta nas empresas com verba publicitária vultosa o bastante para assumir um gasto desse tipo. Além do Corinthians, que tenta o maior negócio do gênero no país, também tentam atrair interessados clubes como o Palmeiras, que planeja para 2013 a inauguração de sua nova arena, e o Grêmio, que corre para inaugurar o substituto do Estádio Olímpico ainda neste ano. Todos esbarram na resistência das TVs ao uso dos nomes de fantasia em suas narrações e programas. O Corinthians fez de tudo para colocar essa exigência em seu contrato de exibição das partidas do Brasileirão pela Globo. Mesmo sendo parceiro fidelíssimo da emissora, não conseguiu a garantia. O canal a cabo de esportes do grupo, o Sportv, também não falará os nomes dos patrocinadores no ar.
Gary Prior/Getty Images
A Allianz Arena, em Munique: exemplo bem sucedido de contrato de naming rights
A Allianz Arena, em Munique: exemplo bem sucedido de contrato de naming rights

A rejeição aos naming rights na TV não é generalizada. Os canais ESPN e a recém-chegada Fox Sports prometem adotar os nomes de fantasia em suas programações, mas isso não deve ser o bastante para convencer os investidores. Para Erich Beting, a resistência dos meios de comunicação não explica, sozinha, a dificuldade em fechar os acordos. De acordo com ele, toda a estratégia adotada pelos clubes na busca por contratos de naming rights vem sendo equivocada. "Quem vende e quem compra precisa entender o conceito. Na verdade, o melhor negócio não é nem dar nome ao estádio. É obvio que isso é interessante, mas as empresas podem ter benefícios ainda maiores com um contrato desse tipo, como poder fazer ações de relacionamento com clientes dentro do estádio, ter direito a ingressos para todos os eventos e poder fechá-lo por alguns dias pra uso próprio." O melhor exemplo, conforme Beting, é a Allianz Arena, erguida em Munique para receber a abertura da Copa de 2006. Passados seis anos do Mundial, o estádio - que, dentro de duas semanas, será palco da final da Liga dos Campeões - segue sendo rentável tanto para o Bayern, que manda seus jogos no local, como para a patrocinadora. E, tanto na TV como na arquibancada, não existe "Municão" ou "Bayernão" - ninguém chama a arena de qualquer outro nome que não a marca da companhia seguradora alemã.

domingo, 6 de maio de 2012

Garotos propaganda

Tarja do Tema em Foco: Negócios do esporte

Quando Pelé vendia imóveis - e Senna anunciava poupança

Propagandas estreladas por grandes ídolos do esporte são lembradas até hoje

Em muitos casos, o produto já até deixou de existir, mas o consumidor ainda lembra do ídolo no comercial
Com a programação esportiva na TV brasileira em crescimento, aumenta também a produção de comerciais dedicados a ocupar os intervalos dessa programação. Para atrair a atenção dos espectadores desse tipo de atração, nada melhor que convocar os próprios protagonistas do espetáculo. Neymar, por exemplo, já soma onze contratos publicitários. Faz propagandas para o Guaraná Antarctica, para os carros da Volkswagen, para as meias e cuecas Lupo e até para o Tenys Pé Baruel. A estratégia de contratar ídolos dos gramados, das quadras e das pistas para rechear os anúncios da programação esportiva, porém, não é nova. Todos os grandes nomes do esporte brasileiro protagonizaram campanhas publicitárias desse tipo. Alguns, como Pelé e Gerson, em filmes mais inusitados, divulgando imóveis ou cigarros; outros mais recentes, como Ronaldo e Romário, ajudando a vender o produto que costuma ser mais ligado ao torcedor: a cerveja. Vários desses anúncios acabaram virando clássicos da TV - e, para sorte dos anunciantes, são lembrados até hoje pelo consumidor brasileiro (ainda que, em muitos casos, o próprio produto já tenha deixado de existir, como o Kichute de Zico, o Atari de Pelé e o Banco Nacional de Senna). Essa estratégia de marketing, porém, pode sofrer uma restrição: conforme revela o Radar on-line neste domingo, um projeto em tramitação no Congresso tenta vetar a participação de esportistas em propagandas de bebidas alcoólicas.

Garotos-propaganda do esporte: os comerciais com atletas

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Pelé e Xuxa

Anúncio da Franciso Xavier Imóveis

Por que os grandes clubes sofrem para arrumar patrocínios

Tarja do Tema em Foco: Negócios do esporte

Flamengo, Corinthians e São Paulo estão em destaque na TV, mas sofrem para encontrar interessados em estampar camisas. E a culpa é dos próprios cartolas

Giancarlo Lepiani, com reportagem de Davi Correia
Lucas comemora gol pelo São Paulo
Lucas comemora gol pelo São Paulo: o jovem craque é uma das apostas da seleção na Olimpíada e na Copa do Mundo e o clube é um dos mais populares do país, mas camisa ainda não tem patrocinador em 2012 (Nelson Antoine/Fotoarena)
"A solução seria melhorar o departamento de marketing dos clubes, oferecer aos patrocinadores mais alternativas", afirma Amir Sommoggi. "Assim, as empresas veriam as grandes equipes como geradores de negócios, não apenas de exposição na mídia"
A duas semanas do início da principal competição do futebol brasileiro, os três clubes mais populares do país têm um problema em comum. Flamengo, Corinthians e São Paulo entrarão na competição sem patrocínio nos espaços nobres de suas camisas, apesar da grande exposição de seus uniformes no Campeonato Brasileiro. As três agremiações somam cerca de 70 milhões de torcedores. Todas têm elencos caros e chances reais de conquistar o título. As partidas serão exibidas ao vivo por duas emissoras de TV aberta e um canal por assinatura, sem contar as transmissões no sistema pay-per-view. Ainda assim, esses três clubes penam para arrumar empresas interessadas em estampar suas marcas nas camisas vestidas por ídolos como Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Luís Fabiano. Se não conseguirem fechar novos contratos a tempo, os times vão estrear no Brasileirão com uniformes inusitados - com logotipos pequenos de anunciantes menos conhecidos (como escolas de inglês) nos ombros ou na barra das camisas, mas com espaços em branco no peito e nas costas, espaço reservado às cotas mais caras de patrocínio no futebol. Até poucos anos atrás, só clubes pequenos vendiam esses espaços periféricos. Hoje, essa estratégia virou um paliativo para os grandes clubes que não conseguem encontrar um patrocinador generoso o bastante para custear toda a receita de marketing pretendida por seus cartolas.
Leia também: Os motivos da invasão do esporte na televisão brasileira

"O problema é que os clubes ainda não conseguiram incrementar seu negócio a ponto de aumentar o interesse das marcas", avalia Amir Somoggi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO. Para ele, o patrocínio de futebol está ficando caro demais para as empresas - os clubes têm aumentado suas pedidas na hora de negociar, sem oferecer as contrapartidas necessárias para fazer o contrato valer a pena. A começar pelo fato de um patrocinador ter de brigar por destaque com o logotipo de outras empresas num mesmo uniforme. "As empresas já perceberam que não vale pagar 30 milhões de reais na camisa de um clube e dividir espaço com outras marcas", destaca Erich Beting, especialista em marketing esportivo. Na opinião de Amir Somoggi, os clubes brasileiros ainda trabalham o patrocínio num modelo ultrapassado, em que o acordo financeiro com a empresa se resume à exposição do logotipo na camisa e nada mais. "A solução seria melhorar o departamento de marketing dos clubes, oferecer aos patrocinadores mais alternativas", afirma Sommoggi. "Assim, as empresas veriam as grandes equipes como potenciais geradores de negócios, e não apenas de exposição na mídia." O melhor exemplo desse novo enfoque no marketing do futebol é encontrado na Inglaterra, casa do clube mais valioso do planeta. De acordo com ranking divulgado pela Forbes, o Manchester United fechou 2011 valendo nada menos que 2,2 bilhões de dólares. Sua receita total no ano foi de 1 bilhão de reais. Desse montante, 308 milhões vieram de patrocínios, sete vezes mais que o Corinthians, campeão brasileiro nesse quesito (veja na tabela abaixo). No ano passado, o United fechou um novo contrato com a empresa de entregas americana DHL. Pelo acordo, o clube receberá 30 milhões de reais anuais durante quatro anos para estampar o logotipo da DHL, mas apenas nos trajes de treino, nunca nas partidas. Para um clube brasileiro, é um valor espetacular até para um contrato de patrocínio master, com direito a logotipo na camisa de jogo, em placas no estádio e nos panos de fundo das entrevistas coletivas.

 RECEITA COM MARKETINGRECEITA TOTAL DO FUTEBOL EM 2011
Man United
R$ 308 mi
R$ 1 bilhão
Corinthians
R$ 44 mi
R$ 258 mi
São Paulo
R$ 41 mi
R$ 200 mi
Flamengo
R$ 43 mi
R$ 164 mi
Carros e aviões - A Europa é um mercado muito mais rico que o Brasil, evidentemente. Mas não é só isso que explica a diferença de patamar quando se trata de contratos de patrocínio no futebol. As alternativas de negócio citadas por Amir Somoggi como melhor caminho para os clubes brasileiros dispostos a lucrar mais com patrocínios já são adotadas pelos supertimes europeus. Para seguir no exemplo do Manchester United, a Turkish Airlines, uma das companhias aéreas que mais crescem no mundo, fechou recentemente um contrato milionário com os ingleses. Assim como a DHL, ela não tem espaço no uniforme da equipe. A ligação entre as marcas é feita de outras formas - com ações institucionais, por exemplo. Quem embarca num avião da Turkish é pego de surpresa por um vídeo de segurança diferente. Ao invés das aeromoças, ídolos da equipe, como Rooney e Nani, fazem as demonstrações de como agir em caso de emergência (assista no quadro abaixo). No segundo clube mais valioso do planeta, o Real Madrid, os anéis da montadora alemã Audi não aparecem na roupa dos jogadores. Mas a agremiação espanhola fatura todos os anos com ações de marketing conjuntas com o patrocinador - como a entrega de carros zero quilômetro aos jogadores (confira as imagens a seguir). No ano passado, o terceiro na lista da Forbes, o Barcelona, fechou um contrato similar, também com a Audi. A rivalidade acirrada entre os dois clubes não impediu que tanto o Real como o Barça acertassem com os alemães. A montadora espalhou por todo o planeta imagens tanto de Messi como de Cristiano Ronaldo ao lado de seus automóveis novinhos, todos da mesma marca. Enquanto isso, no Brasil, a disputa entre os clubes e a falta de profissionalismo dos dirigentes transformam-se em obstáculos adicionais na missão de fechar um bom patrocínio.
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Manchester United e Turkish Airlines

Vídeo de segurança a bordo da companhia aérea turca

No início do ano, uma oportunidade de ouro apareceu para preencher os espaços vazios nas camisas e salvar as contas de Flamengo, Corinthians e São Paulo. A montadora sul-coreana Hyundai, patrocinadora oficial da Copa do Mundo de 2014 e empresa em ascensão no mercado automotivo brasileiro, ensaiou um contrato simultâneo com os três clubes de maior torcida do país. Não seria a primeira vez que clubes rivais teriam o mesmo patrocínio: na Copa União, em 1987, a Coca-Cola colocou sua marca nas camisas de quase todas as equipes do torneio. No Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional também têm patrocínios em comum. A novidade no caso da Hyundai seria o tamanho do negócio - os valores praticados nos anos 1980 são ínfimos se comparados aos contratos atuais, e a operação costurada pela Hyundai mexeria com os dois principais mercados consumidores do país. Mas, para desespero dos cartolas, a transação esfriou e pouca gente acredita que o acordo ainda vá sair. Os próprios dirigentes, porém, acabaram azedando o negócio. As conversas com os coreanos acabaram sendo dominadas pelas disputas entre os três concorrentes. O Corinthians se dizia próximo de acertar um valor próximo dos 50 milhões de reais por ano. O Flamengo queria receber valor idêntico ou superior ao dos corintianos, já que têm a torcida mais numerosa. Os são-paulinos, por sua vez, brigavam por um contrato próximo dos flamenguistas, pois sustentam ter uma marca valorizada e uma fatia maior dos torcedores jovens. De acordo com informação do Radar on-line de VEJA, o Flamengo acabou se conformando em ganhar menos que o Corinthians, mas nem sequer cogitava ser igualado ao São Paulo. A Hyundai, ao que parece, perdeu a paciência com o trio. E os clubes, já no quinto mês do ano, ainda seguem à procura de anunciantes.
Wagner Meier/ Fotoarena
Ronaldinho, do Flamengo: ao contratar o craque, o clube esperava uma fila de patrocinadores dispostos em associar sua imagem ao time. O fracasso dentro de campo é apontado como um dos motivos da escassez de interessados
Fiasco: ao contratar Ronaldinho, o Flamengo esperava uma fila de patrocinadores dispostos em associar sua imagem ao time. O fracasso dentro de campo é apontado como um dos motivos da escassez de interessados em colocar sua marca na camisa mais popular do país
Medo de perder - Enquanto os clubes demoram a entender a nova lógica do mercado e custam a oferecer oportunidades mais completas de negócio, as próprias empresas já tomam a iniciativa de buscar alternativas para ligar suas marcas ao esporte. "Elas já estão percebendo que pode valer mais a pena se posicionar de outra forma, com uma presença mais próxima dos torcedores, ao invés de apenas colocar um logotipo numa camisa", diz Erich Beting. "A Ambev, por exemplo, já faz esse trabalho muito bem. Investiu nas reformas dos centros de treinamento dos clubes do Rio e em outras ações que não envolvem patrocínios no uniforme." É justo dizer, contudo, que a culpa pela escassez de bons negócios no setor não é só dos cartolas e da estrutura pouco profissional dos grandes clubes. "Fechar patrocínio não é uma situação fácil em lugar nenhum. E nem todas as empresas brasileiras têm a visão correta na hora de negociar com as equipes", lembra José Carlos Brunoro, diretor-presidente da Brunoro Sport Business. De acordo com ele, ainda há muitos executivos que têm receio de investir no esporte por um simples motivo: avaliam que o sucesso de um contrato está ligado aos resultados do clube no campo, e não a outras variáveis como fidelização do torcedor e a valorização de uma marca em novos mercados. "Eles acham, em resumo, que é ruim para o produto se o time perde", afirma o especialista. "E esse é outro desafio dos profissionais de marketing esportivo no país. É preciso mostrar que o esporte é uma ferramenta de comunicação completa. Não é só o resultado que justifica o patrocínio. E não é só o clube que é responsável por fazer o negócio ser lucrativo para todos."

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Chelsea: Precisamos urgentemente de um novo estádio


Entrevista do executivo-chefe do clube londrino, Ron Gourlay, revela que a construção de um novo estádio é fundamental para o futuro do clube. E aqui no Brasil ?
Existe uma meia dúzia de abnegados que acompanham esse blog desde os seus primeiros dias de vida, ou seja, desde fevereiro de 2008. Talvez alguns deles se lembrem de que em um dos primeiros posts que escrevi, formulei uma das minhas maiores crenças em relação ao assunto arenas esportivas no Brasil. Reescrevo-a.
“O grande clube brasileiro de hoje, deixará de sê-lo em no máximo 15 anos, se não dispuser de uma arena esportiva moderna, de boa capacidade, com muitas opções de receitas, e capaz de proporcionar conforto e segurança a seus frequentadores”. O verbo “dispor” não pressupõe necessáriamente a propriedade do imóvel, mas sim, o seu direito de uso e exploração comercial.
Pois bem, essa semana, Ron Gourlay, executivo-chefe do Chelsea, foi claro e direto. Ou o Chelsea constroi um novo estádio, que respalde a estratégia de crescimento futuro do clube, ou estará fora da elite européia em pouco tempo.
O estádio atual, Stamford Bridge, tem capacidade para apenas 42 mil torcedores, e não faz parte dos estádios top 30 da Europa, o que se contrapõe ao status do Chelsea como um dos top 7 em termos financeiros.
“Se quisermos nos manter nessa elite, teremos que aumentar nossas receitas de match-day, que serão chave para nossa sobrevivência e realimentação futura da equipe de futebol, principalmente nesses tempos de Financial Fair Play”, continua.
Porém, a decisão de construir uma nova arena não será fácil. Em 1997, Stamford Bridge foi adquirido por um grupo de investidores, chamado Chelsea Pitch Owners (CPO), com o objetivo de proteger o patrimônio do clube que então passava por grave crise financeira, que defendem apenas a expansão do estádio atual.
“Esse projeto de expansão é totalmente inviável, pois além de custar 600 milhões de libras, ficaremos sem “casa”, e portanto sem faturamento e com gastos extras de aluguel, por pelo menos 3 anos. Será a ruína do clube.”, continua.
Lembrando que o Chelsea receberá 45 mi de libras (recorde de todos os tempos) de direitos de TV para a transmissão da final da Champions League em maio, acrescido de um bônus de 2.8 mi de libras caso levante a taça.
A seguir a capacidade de Stamford Bridge comparada a dos estádios utilizados pelos 6 clubes top da Europa.
•Barcelona 100,000
•Real Madrid 85,000
•Manchester United 76,000
•Bayern Munich 66,000
•Arsenal 60,000
•Liverpool 45,623
•Chelsea 42,000
Parece que alguns clubes brasileiros já acordaram para o fato, mas outros seguem dormindo. Enquanto isso, parte da mídia, ainda discute questões como “estádio de uma torcida só”, proibição de venda de cerveja, meia-entrada para quase 60% da população e outras bobagens.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Marketing esportivo dos clubes europeus


    meio & mensagem 


Amir Somoggi

17 APR 2012

marketing esportivo






Atualmente nossos clubes somente enxergam o patrocínio como uma ferramenta de geração de visibilidade para as marcas patrocinadoras e o reflexo disso é o uniforme dos times repletos de marcas. E as empresas acabam também enxergando de forma muito limitada essa fantástica ferramenta de marketing, utilizando os clubes pura e simplesmente como mídia.

Tudo isso está produzindo um efeito péssimo para nosso mercado, já que os clubes querem cada vez mais recursos por esses espaços e as empresas começam a se questionar se somente retorno de mídia é suficiente para pesados investimentos.

Para tentar explicar o caminho que devemos trilhar, decidi apresentar três exemplos de clubes europeus que trabalham muito bem o seu marketing. São os três clubes que mais faturam no futebol europeu atualmente: Real Madrid, Barcelona e Manchester United.

Real Madrid

O clube de Madrid gera mais de 170 milhões de euros em seu departamento de marketing. O clube tem mais de 13 empresas associadas ao clube, mas somente a Bwin e Adidas aparecem em seus uniformes. O clube conseguiu fortalecer sua área de marketing atraindo empresas interessadas em desenvolver ações de marketing e vendas em diferentes canais do clube. 

Um bom exemplo é a parceria com a Movistar (empresa de telefonia móvel da Telefônica na Espanha), que não aparece nos uniformes mas atua de forma diferenciada em diferentes serviços tecnológicos do clube. 

Nos últimos oito anos as receitas de marketing do clube cresceram 100%.

Barcelona

O Barça gera mais de 150 milhões de euros por ano em marketing. O clube conta com mais de 17 marcas associadas ao clube, mas somente a Qatar Foundation e a Nike estão estampadas em seu uniforme. O clube mantém uma parceria coma Unicef em que paga um valor para a entidade, que tem espaço em seu uniforme e na TV3, televisão da Catalunha. As receitas com marketing do clube cresceram mais de 247% nos últimos oito anos, impulsionado projetos de globalização de sua marca, associação com empresas que vai muito além de espaços publicitários em seus uniformes e projetos próprios com torcedores e empresas.

Uma das marcas mais associadas ao clube é a cervejaria Estrella Damm, que não aparece nos uniformes, mas é a cerveja oficial do clube. Outra mais recente e que também apresenta excelente retorno é a Turkish Airlines, companhia aérea oficial do clube.

Manchester United

O Manchester foi sem dúvida o precursor do desenvolvimento comercial do futebol europeu. O time foi o primeiro a buscar a internacionalização de seus negócios e serviu de inspiração para que outros clubes do futebol europeu seguissem o mesmo caminho. Atualmente o clube gera mais de 110 milhões de euros em receitas de marketing e conta com 27 marcas patrocinadoras, mas somente AON e Nike estão estampadas em seu uniforme. As receitas comerciais do clube cresceram 59% nos últimos oito anos.

O clube se diferenciou dos demais, pois além de seus parceiros globais, conseguiu negociar patrocínios focados em mercados específicos, como da Ásia e Oriente Médio.

Assim, as estratégias de patrocínio dos clubes europeus deveriam servir de referência para nosso mercado. Os clubes brasileiros devem investir pesado em suas marcas e seus negócios e buscar parceiros interessados nessa expansão. Nosso mercado precisa evoluir, para deixar de ser um gerador de mídia e se transformar em um fomentador de negócios e oportunidades.

Os exemplos pelo mundo comprovam isso. Basta que os responsáveis pelo marketing dos clubes brasileiros “saiam da caixa”
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