terça-feira, 20 de agosto de 2019

Fortaleza se queixa da Turner e faz protesto em camisa do clube

Resultado de imagem para logo folha

Presidente do clube reclama de valor pago pela emissora de TV


Alex Sabino
SÃO PAULO
Irritado com a Turner, o Fortaleza fez seus jogadores entrarem em campo para enfrentar o Internacional no sábado (17), pelo Campeonato Brasileiro, usando camisas com  "-14" estampados.
Era um protesto pela desigualdade no pagamento das cotas de TV feitas pela emissora. A partida foi transmitida pelo TNT, canal que faz parte da Turner. 
O símbolo e o número representam a diferença entre os valores recebidos pelo Fortaleza e pelos outros que fecharam contrato com o canal até 2024. De acordo com o presidente do time, Marcelo Paz, PalmeirasSantos, Internacional, Ceará, Bahia, Athletico-PR dividiram R$ 140 milhões de partes iguais. Cada equipe ficou com R$ 23 milhões. O Fortaleza recebeu R$ 9 milhões. 
Consultada pela Folha, a assessoria de imprensa da Turner disse que a empresa “não comenta sobre contratos e sua relação com os clubes e os termos dos contratos são confidenciais.”
Jogadores do Fortaleza (à esq) entram em campo com camiseta escrito "-14"
Jogadores do Fortaleza (à esq) entram em campo com camiseta escrito "-14" - Reprodução/TNT
"O Fortaleza tem o direito de protestar contra essa situação, que julgamos ser totalmente absurda dentro da divisão de cotas no futebol brasileiro. É como se em uma corrida de 100 metros, seis times largassem com 23 metros, e o Fortaleza com 9 metros, e ainda tendo que chegar na frente dessas equipes", reclama Paz.
Ele alega que a disparidade de valores causa desequilíbrio esportivo e dificulta a gestão, já que os torcedores cobrariam investimentos no elenco que o clube não poderia fazer. 
Entre os sete clubes do Campeonato Brasileiro da Série A que têm contrato com a Turner, o Fortaleza foi quem recebeu menos de luvas: R$ 3 milhões. Embolsará também a menor fatia do bolo na divisão do dinheiro prometido pela emissora. Embora esteja descontente com um contrato que foi assinado pela própria agremiação (algo que Paz reconhece), o grande aborrecimento do cartola é outro.
“Minha maior crítica é ao discurso deles. A Turner entrou no mercado como? Pregando igualdade e prometendo não fazer o que a Globo fez. Disseram que promoveriam uma democratização dos direitos de TV. Não posso ficar satisfeito com uma empresa que prega a igualdade e faz outra coisa”, reclama.
Na próxima rodada, a emissora terá direito de transmitir a partida do Fortaleza contra o Santos, na Vila Belmiro. Será domingo (25), às 16 horas.
Os contratos dos clubes com a Turner foram acertados em 2017 e passaram a valer no Brasileiro deste ano. Quando os documentos foram assinados, o Fortaleza estava na Série B. 
“O Bahia, por exemplo, teve R$ 40 milhões. Os outros seis clubes vão dividir um valor em torno de R$ 120 milhões”, completa Paz.
Inicialmente, os valores seriam distribuídos no esquema chamado de 50-25-25: 50% divididos em partes iguais, 25% pela classificação final no torneio e 25% pela quantidade de partidas transmitidas. Mas os clubes que assinaram com a emissora (menos o Fortaleza) conseguiram mudar o acordo e puderam pedir imediatamente a antecipação dos R$ 23 milhões cada. 
“O Fortaleza foi o melhor custo-benefício da Turner. Por um valor muito pequeno, porque estávamos na Série B, eles terão direito de transmissão de todos os nossos jogos contra as outras seis equipes. O problema é que eles não reconhecem isso”, continua o presidente.
Esta é outra queixa. O dirigente diz ter tentado renegociar o contrato do Fortaleza com a Turner porque acreditava que o clube merecia uma valorização. Segundo Paz, a emissora se negou a conversar.
O presidente diz saber que o canal renegociou neste ano os contratos de todas as outras seis equipes, pagando mais do que elas já tinham direito.
“Não tem mais o que fazer. Eles não tiveram a sensibilidade de igualar [o acordo do Fortaleza com os demais]. Mudaram o contrato do Ceará, mudaram o contrato do Bahia, mudaram os contratos de todos os outros, menos o nosso”, finaliza.
Não se trata do primeiro clube que mostra descontentamento com a Turner. Outros clubes se queixaram do tratamento dado à emissora ao Palmeiras, que recebeu cerca de R$ 100 milhões de luvas pelo contrato em TV fechada do Brasileiro. Algo que o canal nega ter acontecido.




Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2019/08/fortaleza-se-queixa-da-turner-e-faz-protesto-em-camisa-do-clube.shtml ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br). As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo. Se precisa copiar trecho de texto da Folha para uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Por que o Gre-Nal é a maior rivalidade do Brasil

ESPN Brasil

“Aqui nós nos orgulhamos da guerra que perdemos”, é uma das primeiras frases que ouço ao chegar em Porto Alegre. E ela não vem sem contexto.
No trajeto entre o Aeroporto Internacional Salgado Filho e o hotel, cruzo com o Parque da Harmonia, local onde ocorre um acampamento tradicional em que se celebra o aniversário da Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro, um dia mais emblemático no Rio Grande do Sul até mesmo do que o 7 de setembro.
A data marca o início do conflito ocorrido entre 1835 e 1845, que foi a mais longa revolta da história do país. Os estancieiros e charqueadores lutaram contra o governo por razões políticas e econômicas em uma guerra civil, que acabou com a derrota farroupilha e um tratado de paz. Não há um número aproximado das inúmeras mortes que ocorreram.
A ligação do gaúcho com sua história é inegável e perceptível até mesmo para quem visita o estado pela primeira vez. Uma relação que extrapola costumes - como o popular chimarrão - e reflete no comportamento coletivo da sociedade nos temas mais diversos. A política, a cultura... e o futebol.


A revista inglesa FourFourTwo coloca Grêmio x Internacional como a oitava maior rivalidade do mundo, e a maior do futebol brasileiro. O que justifica?
Mensurar aspectos intangíveis, como a paixão por um esporte, é sempre uma tarefa polêmica e aberta a muitas discussões, relativizações e divergências. De qualquer forma, argumentos não faltam para por o Gre-Nal no topo do futebol nacional.

Primeiramente, há uma característica histórica a ser levada em conta. Ainda que o passado do Rio Grande do Sul não entre em campo, ele não deixa de fazer parte da personalidade em geral do gaúcho.
Cesar Guazzelli, professor titular de história da Universidade Federal do Rio Grande Sul e criador da disciplina História Social do Futebol, destaca que a política do bipartidarismo sempre existiu e sempre foi extremada no estado, desde a independência.
No século 19, havia o partido legalista (a favor do império) e o farroupilha, que era contra. Depois, houve republicanos x federalistas. “No resto do Brasil, a assim chamada República Velha, as oligarquias, os grupos dominantes, eram sempre unidos em torno dos seus interesses. No Rio Grande do Sul havia uma cisão grande”, conta.
“Quando o (Getúlio) Vargas sai do governo no final da Segunda Guerra Mundial, e constrói uma política muito interessante, onde cria dois partidos, o PSD, dos grupos dominantes, digamos assim, e o PTB, o Partido Trabalhista, esses dois partidos estavam quase sempre em aliança e tinham um domínio praticamente em todo o país, menos no Rio Grande do Sul, onde tinham aqueles que eram favoráveis ao PTB e contra o PTB”, diz Guazzelli, que aponta que esta característica seguiu presente mesmo depois.
Tais raízes floresceriam e deixariam suas marcas posteriormente.
“Em uma cerimônia oficial da Universidade Federal, uma formatura, por exemplo, começa com hino nacional e termina com hino do Rio Grande do Sul. Para eu entrar no Palácio do Governo, eu não posso ir com uma roupa que uso normalmente, tem que ser com terno, gravata, algo assim. Mas eu posso entrar vestido de gaúcho. São coisas próprias do Rio Grande do Sul e que são reproduzidas”, afirma o professor.
Neste cenário, estes aspectos foram refletidos também no futebol.
“Na minha opinião, a rivalidade Gre-Nal reproduz uma característica que é do estado. Para mim, essa grande característica do assim chamado futebol gaúcho é a rivalidade. As pessoas dizem das defesas fortes, que se valoriza mais o futebol força do que o futebol arte, e acho que isso é uma característica secundária.”
Esta conexão com o futebol regional é evidenciada em números. Um levantamento feito pelo Ibope com o jornal Lance! em 2014 apontou que o Rio Grande do Sul é o mais fechado quanto a clubes de outros estados. Grêmio e Internacional contam juntos com 79% da torcida local.
Outra marca do futebol gaúcho é a semelhança de suas torcidas com as argentinas e uruguaias, como a presença de determinados instrumentos, tipos de faixas e cantos. Até mesmo há certa ligação entre tricolores e colorados com algumas ‘hinchadas’.
Os países vizinhos, inclusive, também são conhecidos por seu perfil patriótico, algo que, ao que parece, se manifesta também no futebol. Na já mencionada lista da FourFourTwo, Nacional-URU x Peñarol figura na quarta colocação, enquanto que Boca Juniors x River Plate está no topo da lista. “Temos uma série de atributos históricos, políticos, etc., que são derivados dessa presença fronteiriça. Quando se vive em uma região fronteiriça, os hábitos tendem a ser semelhantes, porque as pessoas estão vivendo nos mesmos espaços, estão disputando até os mesmos espaços”, declara Guazzelli.
Para os presidentes de Grêmio e Internacional, Romildo Bolzan Júnior e Marcelo Medeiros, respectivamente, a característica histórica do estado se reflete, sim, no futebol. Romildo até apresentou um outro argumento – veja nos vídeos abaixo.
Romildo cita migração gaúcha no Brasil, analisa rivalidade e diz que Gre-Nal é 'completamente diferente'
Marcelo Medeiros: 'Porto Alegre tem 3 grandes patrimônios. O Inter, o Grêmio e o Gre-Nal'
Ou seja, o duelo das 18h (de Brasília) deste domingo na Arena do Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, não é apenas o Gre-Nal. É mais um capítulo da história do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A origem dos jogadores pelo mundo...

Resultado de imagem para blog do juca logo

POR HUMBERTO MIRANDA* A interessante reportagem do "Nexo" (https://www.nexojornal.com.br/grafico/2019/05/10/De-onde-v%C3%AAm-os-jogadores-das-principais-ligas-de-futebol-do-mundofaz pensar. 

Temos muitos jogadores bons (e não jogadores muito bons), somos um celeiro ainda, mas, no futebol como na economia, somos periferia: mais fornecemos jogadores aos mercados do mundo do que aproveitamos todo nosso potencial.

São jogadores bons para negócio. O aproveitamento do potencial também está na forma como se vende, não se trata, portanto, de propor uma nacionalização forçada para os jogadores ficarem aqui e renderem títulos aos clubes. O fato é que, se eles ficam, não renderiam muito dinheiro e a carreira acabaria prematuramente. 

O potencial a que me refiro tem a ver com o fato de que só vendemos, mas n... - Veja mais em https://blogdojuca.uol.com.br/2019/05/de-onde-vem-os-jogadores-das-principais-ligas-do-mundo/?cmpid=copiaecola