quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sharapova lidera lista das atletas mais bem pagas do mundo

Tarja do Tema em Foco: Negócios do esporte

Sete tenistas estão entre as dez esportistas que mais têm retorno financeiro

Com premiações cada vez mais altas, o tênis domina o ranking das atletas mais bem pagas do mundo. Em lista divulgada pela Forbes, revista americana especializada em negócios e economia, nesta segunda-feira, a russa Maria Sharapova aparece na liderança. Além dela, outras seis tenistas estão entre as dez mais bem remuneradas.
A conta é feita com base no que foi recebido somando premiações, salários, patrocínios e outros adicionais de junho de 2012 até junho de 2013. Maria Sharapova acumulou no período cerca de 29 milhões de dólares (66,7 milhões de reais), valor bem superior ao de Serena Williams, melhor tenista da atualidade, que soma cerca de 20,5 milhões de dólares (47 milhões de reais).
Depois de Sharapova e Serena, a chinesa Na Li e a bielorussa Victoria Azarenka aparecem na terceira e na quarta colocação, respectivamente. A primeira atleta da lista que não é tenista é a americana Danica Patrick, piloto da Nascar, que somou 15 milhões de dólares (34,5 milhões de reais). As representantes de outros esportes são a sul-coreana Kim Yuna, da patinação artística, e a americana Paula Creamer, do golfe. 
1 de 10

Maria Sharapova

Acumulado: 29 milhões de dólares (66,7 milhões de reais)
Premiações: 6 milhões de dólares (13,8 milhões de reais)
Patrocínios: 23 milhões de dólares (quase 53 milhões de reais)

Qual a influência do futebol na vida das pessoas?



A Football Association (FA), entidade responsável por gerir o futebol inglês, encomendou uma pesquisa para homenagear o Dia Nacional de Futebol, que na Inglaterra será comemorado no próximo dia 10 de agosto. O objetivo era medir a influência do futebol na vida das pessoas. O resultado foi muito curioso.
Dos entrevistados, cerca de 52% dos que se dizem fãs do football inglês admitem pensar no esporte uma vez por minuto, enquanto 94% confessaram que planejam o ano após o calendário ser divulgado pela FA.
Outras informações curiosas reveladas pelo estudo:
- 91% desistem de ir a um casamento ou aniversário para assistir um jogo importante;
- 63% admitem que o futebol é o principal assunto no bate-papo entre amigos;
- 57% sentem um tipo de “abstinência futebolística” ao término da temporada;
- 53% esperam ansiosamente o início da temporada;
- 52% acreditam que o mercado de transferências é acontecimento mais prazeroso do verão europeu;
- 52% pensam mais no futebol do que nas refeições;
- 50% admitem que o início da temporada é o momento mais feliz do ano;
- 50% pensam mais em futebol do que no próprio trabalho.

via FC Business

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Turistas vão gastar R$ 25 bilhões na Copa de 2014, prevê Embratur

MARIANA SCHREIBER

DE BRASÍLIA

Turistas brasileiros e estrangeiros vão gastar juntos R$ 25,2 bilhões na Copa do Mundo de 2014, estima a Embratur, estatal do setor.

A projeção equivale a 28 vezes o que os turistas gastaram na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Segundo cálculo da UFF (Universidade Federal Fluminense), R$ 900 milhões saíram do bolso de 1,3 milhão de pessoas no evento. O valor ficou acima da expectativa da Embratur, de R$ 660 milhões.

A maior parte das despesas previstas para a Copa de 2014 é de turistas brasileiros. A projeção é que 3 milhões de viajantes nacionais vão gastar R$ 18,3 bilhões, nas 12 cidades-sede do evento.

São esperados ainda 600 mil estrangeiros -o dobro dos que foram à África do Sul em 2010-, que devem injetar R$ 6,8 bilhões. A estimativa foi feita com base no histórico de fluxo de turistas para o país e na procura por ingressos na agência da Fifa.

O valor de gastos fica próximo de tudo que foi gasto por estrangeiros no Brasil no primeiro semestre deste ano: R$ 7 bilhões, segundo conversão dos dados do BC pelo dólar médio do período.

No caso do estrangeiros, que costumam ficar mais que duas semanas, acompanhando todo o evento, a expectativa é de gasto total médio de R$ 11,4 mil na Copa.

Para as estimativas de gastos de brasileiros, foi considerada uma estadia média de dez dias na cidade-sede. O Rio é o local mais caro: projeta-se um gasto diário de R$ 824 por pessoa que inclui hospedagem, alimentação, transporte e compras.

A variação de custo entre as cidades se deve às diferenças nos preços da hospedagem. Depois da capital fluminense, as sedes mais caras são Brasília (R$ 824), Belo Horizonte (R$ 709) e São Paulo (R$ 645). As mais baratas são Natal (R$ 412) e Curitiba (R$ 422).

Apesar da fama turística do Rio, a cidade que deve receber mais gente é São Paulo (595 mil turistas).

Segundo o economista da Embratur Leandro Garcia, são esperados mais viajantes na capital paulista porque a cidade é o principal ponto de conexão aérea.
"Algumas pessoas devem aproveitar a escala e ficar para os jogos locais", afirma.

PREPARAÇÃO

A um ano da Copa do Mundo, outra pesquisa da Embratur com turistas estrangeiros que vieram à Copa das Confederações mostrou que apenas 55,6% dos entrevistados consideram que o país está preparado para o Mundial de 2014. Outros 29% disseram que não está, e 15,4% responderam que não sabiam.

Para o presidente da Embratur, Flávio Dino, a avaliação dos turistas foi impactada pelas manifestações de junho, mês em que ocorreu o evento prévio à Copa.
As principais reclamações dos turistas estrangeiros na Copa das Confederações e na JMJ foram em relação ao transporte urbano e aos serviços de internet e telefonia.
Editoria de Arte/Folhapress

O milagre da Copa no Brasil, segundo a Embratur

Erich Beting

A “Folha de São Paulo” desta terça-feira traz uma extensa matéria sobre o impacto econômico da Copa do Mundo no Brasil, segundo dados divulgados pela Embratur, empresa estatal responsável pela promoção do turismo no país. De acordo com a reportagem, o órgão público espera que os turistas presentes ao Mundial no Brasil gastem cerca de R$ 25 bilhões nos 30 dias de competição.
Segundo a projeção, R$ 18,3 bilhões seriam gastos pelos 3 milhões de brasileiros em trânsito entre as 12 cidades-sedes. E outros 6,85 bilhões seriam de gastos dos 600 mil turistas estrangeiros que estão previstos para virem ao país acompanhar o torneio.
Talvez a Embratur esteja à espera de um milagre inspirada pelo sucesso da vinda do Papa Francisco ao Brasil, quando cerca de R$ 900 milhões foram gastos pelos 1,3 milhão de turistas presentes à Jornada Mundial da Juventude.
Caso o Brasil consiga confirmar a projeção da Embratur, nunca antes na história das Copas do Mundo o turista gastará tanto dinheiro quanto em 2014. Só para se ter uma ideia, o número projetado pelo órgão brasileiro prevê que tenhamos um gasto que será cerca de cinco vezes maior do que na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e 30 vezes superior ao do Mundial de 2010, na África do Sul, para ficar nas duas últimas edições do torneio.
Na Alemanha, segundo a DFB, que é a CBF de lá, os turistas durante a Copa do Mundo gastaram cerca de 1,5 bilhão de euros, ou algo próximo a R$ 5 bilhões. Já na África do Sul de acordo com o Ministério do turismo, os gastos foram de 3,64 bilhões de rands, que equivale a R$ 850 milhões no câmbio atual.
Pelo visto estamos diante de um possível milagre da Copa no Brasil. Pelo menos pela projeção da Embratur…

Com jeitinho e agrado a boleiros, loja burla patrocínio dos clubes e aparece na TV

Paulo Passos 

Do UOL, em São Paulo

Bernard tirou camisa do Galo para comemorar seu gol contra o Atlético-PR e foi expulso
    Na festa dos jogadores do Atlético-MG após a vitória contra o Olimpia, a marca estava lá. No jogo que marcou a despedida de Bernard também, assim como nas concorridas entrevistas de Luís Fabiano na saída do gramado. Com sede no Brás, uma loja no mesmo bairro e alguns boleiros amigos, a confecção 

    A marca de roupas fábrica camisas térmicas para jogadores sob encomenda e, com isso, aparece em transmissões de tevê e em fotos. Entre os “amigos” da Rat Boy estão Bernard, Pierre e Alecsandro, do Atlético-MG e são-paulino Luis Fabiano.

    A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com a Rat Boy. Após tentar falar com o proprietário na loja do Brás, o mesmo retornou uma ligação.

“Não patrocino, não tem nada oficialmente. É na amizade mesmo. Um passa para outro. Eles simplesmente pegam material e em troca, eles usam”, explicou Pedro, que não quis informar o seu sobrenome. “Pode colocar só Pedro mesmo”.
  • Na festa do título, jogadores do Galo usaram camisa da empresa
O empresário é conhecido dos jogadores. “É o Pedrão, o pessoal chama ele assim. Ele sempre pega alguns jogadores, dois ou três de cada equipe, e manda presentes, camisa térmica e outras roupas. Ele tem abertura boa com os boleiros”, conta Fahel, do Bahia, que até 2012 usou as camisas da Rat Boy por baixo do uniforme.

“Aqui no Bahia não pode mais. A Nike (patrocinadora do clube) não deixa, mas antes usava”, diz o volante. “Todo mês ele mandava caixas de roupa para a minha casa. Camisa, bermuda e calça. Sabe como é jogador, tem amigo, parente. Ai a gente distribuía”, completa.

O primeiro jogador a usar a marca foi o ex-lateral Júnior. Foi o baiano que apresentou Pedro para outros boleiros, que passaram a usar.
“Tem gente do futebol que conheço há mais de cinco anos”, conta Pedro. “Mas não ajudamos só quem aparece. Outro dia fui no hotel do Icasa (que enfrentou o Palmeiras no Pacaembu) e levei umas malhas para os garotos”, diz.

Para jogadores amigos, a confecção recebe encomendas e faz camisas térmicas com mensagens. Foi assim na final da Copa Libertadores. Enquanto alguns jogadores do Atlético-MG usavam uma camisa oficial do clube, com a marca dos patrocinadores, Pierre vestia uma da Rat Boy, com o logo da empresa nos ombros, e o nome das suas filhas, além das mensagens “100% Jesus” e “100% Tororó” na frente.
 
No jogo que marcou a despedida de Bernard, aconteceu o mesmo. Após marcar gol contra o Atlético-PR, o meia-atacante tirou a camisa do Galo. Por baixo levava uma com a marca da Rat Boy no ombro e a mensagem “Uma vez até morrer!”.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Atlético-MG informou que os jogadores estão proibidos de usar vestimentas expondo outras marcas que não a dos patrocinadores do time. “Tem punição previsão regulamento, com pagamento de multa. Já tivemos casos”, diz o clube.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Após cronistas, Corinthians quer fechar cerco a rádios

Erich Beting
Desde o ano passado uma queda de braço é travada entre os departamentos de comunicação e marketing do Corinthians com a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp). Há algum tempo, o clube paulista tomou para si a gestão de quem é relacionado para cobrir os jogos do Corinthians quando é o mandante.
A medida acabou com uma prática absolutamente comum e histórica no meio esportivo, que é a entrada de jornalista com a apresentação da credencial que lhe dá direito de entrar em campo. Boa de princípio, assim como a meia-entrada para estudante, a carteira de jornalista perdeu, com o tempo, sua função primordial. Mesmo em “folga”, o jornalista vai ao jogo, usando logicamente o pretexto de acompanhar a partida. Mas, na prática, raramente vai a partidas além da do time de coração.
Até pouco tempo, isso não era um grande problema, uma vez que não eram muitos veículos nem muitos jornalistas credenciados. Mas, com a proliferação de novos veículos com o advento de internet e, sequencialmente, os blogs, o número de profissionais credenciados pela Aceesp tornou-se gigantesco. E isso, especialmente em jogos de alta demanda, tem se tornado um problema para clubes, associação e profissionais que trabalham nas partidas.
Com o argumento de que o jornalista que torce para o Corinthians decide ir ao jogo com a carteirinha e, assim, não remunera o clube, o alvinegro passou a gerir o controle de profissionais da mídia às partidas. Agora, o clube exige um pré-credenciamento dos profissionais, algo que é comum em outros estados e, principalmente, em eventos de alta demanda.
A medida, que teve respaldo jurídico, agora deve invadir outra seara. A diretoria de marketing do Corinthians confirmou que tem interesse de ampliar a discussão sobre a atuação das emissoras de rádio na cobertura de jogos do clube. A ideia é fazer com que as rádios passem a pagar pelos direitos de transmissão dos jogos.
Se realmente comprar essa briga, o Corinthians pode finalmente conseguir fazer algo que, no Paraná, já algum tempo o Atlético Paranaense de certa forma conseguiu solucionar tendo espaço na grade das emissoras de rádio para programas próprios e/ou publicidade.
Com o tamanho e a influência na mídia que possui, o Corinthians poderá recuperar um erro histórico da gestão esportiva no Brasil. Muito da gratuidade das rádios na transmissão do esporte está vinculada à relação de Paulo Machado de Carvalho com o futebol. Dono da Record e fundador da Jovem Pan, Carvalho deu um “jeitinho” lá nos anos 40 e 50 para que o futebol fosse transmitido de graça.
Na época, o rádio era o principal meio de comunicação do país, e o futebol ainda não era a unanimidade de hoje. Para os dois, era uma relação interessante. Depois, com o advento da TV, a receita que o rádio poderia dar ao futebol tornou-se secundária e, por isso mesmo, ignorada pela maioria dos clubes.
Agora, com uma gestão mais profissional, a tendência é que as instituições passem a olhar toda fonte de receita como valiosa. Cobrar a transmissão das rádios é algo absolutamente natural e compreensível dentro desse novo cenário. Ainda mais porque essa prática é regra quando se refere à transmissão de grandes eventos, como Fórmula 1, Liga dos Campeões da Europa, Copa do Mundo, torneios de tênis ou Jogos Olímpicos, para citar alguns exemplos.
Após fechar o cerco à farra de cronistas, o Corinthians quer diminuir a farra das rádios. E isso pode ser uma ótima notícia para o mercado como um todo. Por mais que a mídia vá espernear.

domingo, 21 de julho de 2013

'Os torcedores são os donos do espetáculo'

Tarja do Tema em Foco: Negócios do esporte

CEO do Manchester City e um dos responsáveis pelo fenômeno Barcelona, o espanhol Ferran Soriano afirma que o caminho para a profissionalização passa pelo aumento da receita com os estádios – mas sem afugentar o público tradicional dos jogos

Celso de Campos Jr.
"O modelo inglês está aí. Basta adaptá-lo à realidade local. Na verdade, o grande desafio que eu vejo para os novos estádios brasileiros é a gestão. A gestão do estádio moderno é muito complicada. Não há muitas pessoas no Brasil que sabem fazer"
O executivo espanhol Ferran Soriano tem no currículo passagens por empresas de telecomunicações e entretenimento, mas sua experiência profissional mais marcante foi como vice-presidente de Finanças do Barcelona, entre 2003 e 2008. Foi dele um dos gols mais importantes da história do clube: o processo de reestruturação da dívida que ameaçava derrubou o gigante da Catalunha. Reerguido graças à administração de Soriano e sua turma, o Barça voltou a montar supertimes (e, por consequência, a faturar alto com a paixão de seus torcedores). Hoje, o time de Messi e Neymar é considerado um modelo de sucesso. Desde setembro do ano passado, Soriano, de 46 anos, está à frente do Manchester City, onde sua missão é chegar a um equilíbrio entre os gastos milionários dos últimos anos (com a contratação de craques como Agüero e David Silva) e os investimentos nas categorias de base, considerados por ele a chave para o sucesso da agremiação no futuro. Antes visto como um "novo rico" da modalidade, o City quer ser uma das grandes escolas do futebol mundial (está construindo o que promete ser o melhor centro de treinamento do planeta). Em entrevista ao site de VEJA (em português fluente, um dos cinco idiomas que domina), o autor do livro A bola não entra por acaso (Editora Princípio), que ensina estratégias de gestão empresarial inspiradas no mundo do futebol, explica como os clubes brasileiros podem se beneficiar da herança da Copa do Mundo. Para Soriano, que morou no Brasil no final dos anos 1990 e conhece bem o futebol do país, as receitas obtidas com os estádios são um catalisador para fazer com que os clubes do país atinjam um novo patamar. 
Neste ano de Copa das Confederações, o Brasil ganhou seis modernas arenas. Para o ano que vem, na Copa do Mundo, outras seis devem estar prontas. Como aproveitar esse legado? Entendo que essa é a grande oportunidade para o futebol brasileiro dar um enorme salto. Hoje as fontes de receita de um clube de futebol devem ser três: estádio, TV e marketing, que inclui todas as atividades comerciais e de patrocinadores. No Brasil, as receitas de marketing, e um pouco mais tarde as de televisão, já se desenvolveram, acompanhando o crescimento do país. Isso foi feito. O que estava faltando eram os estádios. Essa grande mudança já aconteceu na Inglaterra, na Alemanha, na Espanha, muitas vezes na sequência de um grande evento como um Mundial ou uma Eurocopa. Onde se fez um bom investimento nos estádios, foi possível atrair mais público e essa receita adicional acabou elevando os clubes a um outro nível de riqueza. Mas isso só pode ser obtido vendendo um produto de qualidade e de preço alto. Porque um bom jogo de futebol, com uma boa prestação de serviço na arena, é um espetáculo fantástico. Para as empresas, é muito mais atrativo que a ópera ou o teatro, por exemplo. Nesse ponto, os estádios da Copa serão uma bênção para os clubes brasileiros, ainda que em alguns exista mais demanda do que em outros.
Alex Livesey/Getty Images Sport
Ferran Soriano, CEO do City, no Etihad Stadium, em Manchester
Ferran Soriano, CEO do City, no Etihad Stadium, em Manchester
Quando se fala em preço alto, isso implica em afastar o torcedor comum dos estádios, elitizando o futebol? Pelo contrário. Os torcedores são os donos do espetáculo. Por isso, os estádios devem ser muito segmentados, com uma grande parte de cadeiras muito econômicas, para ter o campo cheio sempre. Ao mesmo tempo, é necessário ter um menor número de cadeiras muito caras, destinadas a pessoas e empresas que estão dispostas a pagar um bom dinheiro, algo como 1.000 dólares por uma cadeira, procurando outra experiência. Essa é a chave: experiências diferentes. Nesse ponto, o melhor exemplo do mundo é a liga inglesa. A ocupação média nos estádios do ano passado foi de 95%. O ambiente nos estádios é fantástico. O espetáculo televisivo é muito melhor, dá para sentir o ambiente – não apenas pelo que acontece no campo, mas pelo espetáculo que os torcedores proporcionam. No Manchester City, vendemos para todos os jogos ingressos muito econômicos, de 20 euros. Disponibilizamos 25% dos ingressos nessa categoria. Na outra ponta, 10% são ingressos realmente caros. O restante é uma graduação. Tirar o torcedor tradicional, portanto, é uma decisão equivocada – não se pode afastá-lo, e sim integrá-lo, oferecendo mais serviços.
Conhecendo as peculiaridades do futebol brasileiro, você acha que isso funcionaria por aqui? Já ouvi falar que no Brasil não funcionaria, que o Brasil é diferente... Nada disso. Não é preciso inventar nada. O modelo inglês está aí. Basta adaptá-lo à realidade local. Na verdade, o grande desafio que eu vejo para os novos estádios brasileiros é a gestão. A gestão do estádio moderno é muito complicada, ela é sofisticada. Não há muitas pessoas no Brasil que sabem fazer. E por isso há empresas que são especializadas em gerenciar um estádio desse tipo. O Grêmio, por exemplo, tem um estádio fantástico, cuja gestão será muito diferente do estádio antigo. Como eu expliquei, é preciso ter espaço para torcida tradicional, espaço para vender espaços caros, saber negociar com outros clubes, enfim, uma série de coisas.
Manu Fernandez/AP
O Camp Nou: se dependesse de Soriano, o velho templo do Barça daria lugar a outro estádio
O Camp Nou: se dependesse de Soriano, o velho templo do Barça daria lugar a outro estádio
Como fazer para vencer a resistência de torcedores que, em nome da tradição, opõem-se à construção de novos estádios? É normal que a torcida fique um pouco com medo, desconfiada, pois um estádio tem história e emoções. Mas penso que quando alguém vai a um estádio novo e vê as facilidades de acesso, o serviço melhor, a limpeza e a visão melhor do gramado, todos logo se acostumam. Há outros meios de conservar a tradição do que manter estádios velhos que proporcionam uma experiência ruim. Um exemplo: o Arsenal fez um estádio novo, do lado do antigo – e conservaram o relógio e a sala do presidente, que é a mesma de 150 anos atrás. Dá para tentar fazer algo simbólico que ajude na questão. Sinceramente, no futebol de hoje, acho que os estádios precisam ser reconstruídos. Muitos lembram o caso do Barcelona, que continua com o Camp Nou, que é antigo. Mas quando eu estava lá, só não fizemos outro estádio porque não tínhamos lugar. Se tivéssemos encontrado uma área disponível pero dali, teríamos construído um novo. É uma necessidade. Um estádio como o Camp Nou, de 1957, não tem estrutura, por exemplo, para receber os itens de segurança necessários hoje em dia. Por isso, acredito ser questão de tempo até o Barcelona construir um novo estádio. Mas vale lembrar que as arenas não são tudo. Outra fonte de receita – no Brasil a mais importante delas – é a televisão. Há uma preocupação de que, com Corinthians e Flamengo distanciando-se cada vez mais do restante em valores recebidos, isso possa criar um abismo.

Acredita ser um problema? Não digo que seja um problema, mas é um desafio. Porque é preciso encontrar um equilíbrio correto entre uma situação que possibilite a competitividade entre os clubes e que ao mesmo tempo respeite e responda à realidade da demanda. Vou citar dois exemplos distintos. No caso espanhol, Real Madrid e Barcelona recebem 140 milhões de euros cada da TV. O clube que recebe menos na liga espanhola fica com 12 milhões de euros – ou seja, a proporção é de 12 para 1. Na Premier League, na próxima temporada, o clube que for campeão receberá 90 milhões de libras, enquanto o último terá direito a 60 milhões de libras, uma relação bem mais próxima, de 1,5 para 1. São dois extremos. Não sei onde está a realidade do Brasil hoje. Mas os clubes brasileiros precisam decidir coletivamente onde eles ficam – se perto da Inglaterra ou da Espanha.

Para isso, seria interessante uma liga forte... É claro. Penso que são dois os grandes desafios dos clubes brasileiros. Um é individual e outro é coletivo. No campo individual, é preciso levar a cabo uma profissionalização completa. Não é razoável que, no século XXI, um negócio tão grande e que move tantas paixões como o futebol tenha gestões tão amadoras. Entendo a dificuldade dos clubes, que, com uma estrutura de sócios e de mandatos curtos, têm uma situação politica instável que dificulta a profissionalização. Mas isso pode ser feito, como mostram os casos do Real e do Barcelona. O outro desafio é justamente o coletivo: criar uma liga forte e unida, que trabalhe para fazer crescer o negócio como um todo. Isso também não é tão fácil. Mas a experiência da Premier League inglesa mostra que, mesmo sendo competidores dentro de campo, se os clubes estiverem unidos fora dele, eles só têm a ganhar, dialogando e buscando juntos seus interesses em comum.