Mostrando postagens com marcador Consumidor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Consumidor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Flamengo e Corinthians seguem na liderança de torcidas

Resultado de imagem para datafolha logo

OPINIÃO PÚBLICA - 

Apoiadas por 18% e 14%, respectivamente, Flamengo e Corinthians têm as maiores torcidas do Brasil, empatadas no limite da margem de erro do levantamento, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos quando considerado o total da amostra. O resultado é idêntico ao registrado no último levantamento sobre o tema, em junho de 2014.
Também não houve variação fora da margem de erro nas demais torcidas que aparecem na pesquisa: São Paulo (8%) e Palmeiras (6%) também repetem seu desempenho de 2014, e na sequência aparecem Vasco (4%, ante 5% em 2014), Cruzeiro (4%, ante 3% em 2014), Grêmio (3%, ante 4% em 2014), Santos (3%, igual ao levantamento anterior), Internacional-RS (3%, também igual a 2014), Atlético Mineiro (3%, igual a 2014), Botafogo-RJ (1%, ante 2% em 2017), Fluminense (1%, ante 2% em 2017), Bahia (1%, igual a 2015) e Vitória-BA (1%, também igual a 2014), entre outros que não atingiram 1%. A fatia de quem declara não ter time é de 22%.

Na fatia dos mais jovens, o percentual sem time cai para 13%, e o Flamengo vai a 24%, ante 17% de corintianos e 11% de são-paulinos. Na região Norte, o percentual de flamenguistas atinge 37%, superando em larga medida a torcida pelo Corinthians, que fica com 8%. No Nordeste, o Flamengo (23%) também supera o Corinthians (9%), enquanto no Sudeste os dois empatam tecnicamente, com vantagem numérica para o time paulista (19% a 14%). Na região Sul, Grêmio (20%) e Internacional (18%), e na sequência aparece o Corinthians (12%).

CRESCE DESINTERESSE POR FUTEBOL

Um em cada quatro brasileiros (26%) com 16 anos ou mais tem grande interesse por futebol, e uma parte significativa, de 41%, não tem nenhum interesse por futebol. Há ainda aqueles que têm interesse médio pelo esporte (23%), e uma parcela de 9% que tem pequeno interesse.

A comparação com pesquisa sobre o mesmo tema realizada pelo Datafolha em 2010 mostra que, neste intervalo, cresceu o desinteresse por futebol (de 31% para 41%), e caiu o percentual dos que têm grande interesse (de 32% para 26%). A parcela com médio interesse variou dentro da margem de erro (era de 22%), e o percentual com pequeno interesse também caiu (era de 16%).
 
Entre os homens, 42% tem muito interesse pelo futebol, ante 12% entre as mulheres. O desinteresse total pelo futebol atinge 56% entre as mulheres, enquanto entre os homens fica em 24%. Na parcela de brasileiros que estudou até o ensino fundamental, o desinteresse pelo futebol é mais alto (48%) do que entre aqueles que estudaram até o ensino médio (38%) ou superior (35%).

A Copa do Mundo da Rússia desperta interesse similar entre os brasileiros: 24% têm grande interesse, 23%, médio interesse, 9%, pequeno interesse, e 42% não tem interesse no evento. Também é mais alto o grau de grande interesse entre homens (35%) do que entre as mulheres (15%), e o contrário ocorre com o desinteresse pelo evento (54% entre as mulheres, 30% entre os homens).

O percentual de brasileiros que pratica futebol é de 20%, sendo que 12% praticam uma vez por semana ou mais, os mais assíduos, e 5%, uma vez por mês ou menos. Entre os homens, 38% jogam futebol (24% uma vez ou mais por semana), ante somente 4% entre as mulheres. Os mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos, são os maiores praticantes (41%, ante 28% na faixa seguinte, de 25 a 34 anos). Também há diferença no grau de escolaridade: entre os menos escolarizados, 13% jogam futebol, ante 24% entre os mais escolarizados. A análise por renda mostra que na fatia de renda familiar mais baixa, com ganho de até 2 salários, o percentual de praticantes de futebol é mais baixo (16%) dos que nas faixas de renda mais alta (entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários, por exemplo, 29% jogam).

Também é de 20% o percentual de brasileiros que costumam ver partidas de futebol no estádio, sendo que metade (10%) vai a estádios pelo menos uma vez por mês, e 4%, uma vez por ano. Entre os homens, 29% costumam ir a estádios (16% vão pelo menos uma vez por mês), índice que cai para 12% entre as mulheres.

47% ACREDITAM QUE BRASIL SERÁ CAMPEÃO NA RÚSSIA

O desempenho do técnico Tite à frente da seleção brasileira é aprovado por 62% dos brasileiros, que consideram seu trabalho ótimo ou bom, e reprovado por 3%, que o consideram ruim ou péssimo. Os demais avaliam o trabalho do técnico regular (15%) ou preferiram não opinar (20%). Entre os corintianos, a aprovação a Tite alcança 80%, e também fica acima da média entre são-paulinos (79%).

Pesquisa realizada em junho de 2014, antes da Copa do Mundo no Brasil, mostrava o técnico Luiz Felipe Scolari com aprovação de 68%, e os demais consideram seu trabalho regular (14%) ou desaprovavam (2%), além de 16% que não tinham opinião.
Consultados sobre quem é o favorito para vencer a Copa do Mundo da Rússia, 47% apontaram o Brasil, e na sequência aparecem Alemanha (9%), Argentina (2%), Rússia (1%), Espanha (1%) e França (1%), entre outros menos citados. Uma parcela de 37% não citou nenhuma seleção (24% entre os homens, e 49% entre as mulheres).
Em 2014, em junho, o Brasil era apontado como favorito por 68%, e a Alemanha, por 5%. Na sequência apareciam Espanha (3%), Argentina (3%) e Itália (1%), e 18% preferiam não opinar.

Um em cada três brasileiros (32%) cita espontaneamente Neymar como o melhor jogador do mundo atualmente. O português Cristiano Ronaldo, de Portugal, foi citado por 24%, e 14% mencionaram Leonel Messi, da Argentina. Os demais jogadores não atingiram 1%, e 24% não citaram nenhum nome. Na parcela dos homens, Cristiano Ronaldo (33%) e Neymar (29%) empatam, e Messi fica em patamar próximo (21%). Entre os mais jovens, 31% apontam o jogador português, e 32%, o brasileiro.

Quando questionados sobre o melhor jogador brasileiro, 59% citaram espontaneamente Neymar. Além dele aparecem Gabriel Jesus (1%), Philipe Coutinho (1%) e outros com menos de 1%. Uma fatia de 29% não mencionou nenhum jogador.

http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2018/04/1964748-flamengo-e-corinthians-seguem-na-lideranca-de-torcidas.shtml

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Lançamentos

Tanto Nike quanto Adidas têm tênis novos na praça. São, em ambos os casos, visões do futuro. O HyperAdapt, da Nike, custa inacreditáveis US$ 720. E isso, lá. O que ele oferece é a tecnologia De Volta para o Futuro dos sapatos que se enlaçam por conta própria e no ajuste certo para cada pé. O Futurecraft Runner da Adidas é impresso em 3D sob medida e custa bem menos, embora ainda caro: US$ 333. O objetivo da empresa é um tênis de corrida moldado para o pé do consumidor, levando-se em consideração a pisada, o estilo e até preferências pessoais.

Resultado de imagem para HyperAdapt Resultado de imagem para Futurecraft

Para saber mais:

http://news.nike.com/news/hyperadapt-adaptive-lacing

http://news.adidas.com/us/Latest-News/adidas-makes-first-3d-shoe-available-for-purchase-with-exclusive-drop/s/7004e8fa-324b-4b71-bc2f-aacf3d61b135


segunda-feira, 9 de março de 2015

Lei frágil, Copa e novas arenas começam a devolver a cerveja aos estádios brasileiros

Uma pesquisa do Ibope, em julho de 2012, encomendada pela Ambev, listou as paixões do brasileiro. A primeira delas é o futebol. A segunda é a cerveja. A terceira é futebol com cerveja. Ou seja, a união das duas primeiras é algo mais que bem-vindo para as pessoas. Essa combinação pode ser desfrutada em bares, churrascos com peladas e antes das partidas nos arredores dos estádios. Poucas vezes dentro desses estádios, pois é proibido vender bebidas alcoólicas durante os jogos no Brasil. Pelo menos por enquanto.
Durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, a Lei Geral da Copa criou uma exceção para que um dos patrocinadores da Fifa pudessem vender seus produtos durante as partidas. Esse texto serviu aos interesses da organização do Mundial, e ainda criou um vácuo que está sendo aproveitado pelos legisladores para liberar o consumo e a comercialização de álcool nas arenas, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Principalmente porque o artigo na lei federal que regula o assunto, o Estatuto do Torcedor, é frágil. O Mundial mostrou que torcida e cerveja podem conviver relativamente bem em determinadas circunstâncias. Não houve grandes incidentes, que pese a rivalidade entre seleções ser muito menor que entre clubes.
Um dos lugares em que se pode testar a tese é em Porto Alegre. Internacional e Grêmio protagonizam uma das maiores (potencialmente a maior) rivalidade do Brasil e estão sedentos para maximizar os ganhos com seus estádios modernos. Na capital gaúcha, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de lei de Alceu Brasinha (PTB) que libera a venda de álcool. O texto aguarda a sanção do prefeito José Fortunati (PDT), mas o Rio Grande do Sul tem uma lei estadual proibindo esse tipo de comércio durante os jogos.
A questão, porém, não é apenas de segurança ou ideologia. Ela envolve muito dinheiro. As cervejarias estão cada vez mais presentes no esporte, com patrocínios e naming rights, e querem vender os seus produtos. A exceção criada pela Lei Geral da Copa serviu à Budweiser, uma das principais parceiras da Fifa. A Itaipava paga R$ 10 milhões por ano ao governo da Bahia para associar a sua marca ao nome da Arena Fonte Nova. Meses depois do contrato ser assinado, uma lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa autorizando a venda de bebidas alcoólicas no estádio baiano. O autor do texto foi o ex-deputado estadual João Bonfim (PDT), atualmente no Tribunal de Contas do estado. A Trivela tentou entrar em contato com ele, mas não foi respondida até o fechamento desta reportagem.
A Itaipava também comprou os direitos de nomear a Arena Pernambuco, e embora mais tímido, também há uma movimentação nesse estado para regularizar o comércio de bebida alcoólicas. No começo do ano passado, a Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte, tentou o mesmo patrocínio, mas as conversas não caminharam. Em abril, a então governadora Rosalba Ciarlini sancionou lei regularizando a venda da substância. Limita em 43% o nível de álcool, o que engloba também bebidas destiladas como whisky e pinga.
“Eu acho que é uma pressão econômica muito grande”, afirma o professor Mauricio Murad, especialista em sociologia do esporte e coordenador de uma pesquisa na Universidade Salgados Oliveira, de Niterói (RJ), chamada Álcool e violência no futebol. Ele também é o autor do livro Para entender a violência no futebol. “As cervejarias são muito fortes, o lobby junto ao poder legislativo é muito grande”.
Os clubes brasileiros modernizaram os seus estádios e precisam de todas as rendas que conseguirem para pagar as contas. O diretor de negócios da área de entretenimento da Odebrecht Properties, parte do consórcio que administra a Fonte Nova, a Arena Pernambuco e o Maracanã, estima um prejuízo de R$ 10 por torcedor por causa da proibição. Ou seja, se o público for de 20 mil pessoas, R$ 200 mil a menos no faturamento. “As arenas administradas pela Odebrecht Properties cumprirão o que for determinado pela legislação”, respondeu a empresa à reportagem da Trivela, ao ser questionada sobre o que acha do assunto.
Há uma corrente forte na defesa de que não vender cerveja faz os estádios e os clubes perderem dinheiro, e ainda tem pouco efeito prático porque as pessoas podem beber antes de passar pelas catracas, causando tumulto nas catracas e nos arredores do estádio. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas calcula que uma em cada quatro cervejas bebidas no país tem relação com o futebol, o que mostra que a ausência das geladas no estádio não tem impedido muitas pessoas a consumirem o produto quando vão ao jogo. Um fator importante para a economia nacional, pois essa pesquisa da FGV aponta que R$ 338 milhões são gerados no País a cada R$ 100 milhões gastos com cerveja.
O que proíbe? E será que proíbe mesmo?
A Lei Geral da Copa criou uma exceção para a venda de bebidas nos estádios (Foto: AP)
A Lei Geral da Copa criou uma exceção para a venda de bebidas nos estádios (Foto: AP)
Não existe necessariamente uma relação de efeito e causa entre a presença das cervejarias e a modernização dos estádios com as tentativas de liberar a venda de álcool nos estádios. Pode ser apenas coincidência. Ou, no momento em que precisam maximizar as rendas, os gestores tenham percebido que não existe, de fato, uma lei que impeça a boa e velha cervejinha nas arquibancadas.
O que de fato interrompeu a venda de bebidas foi um Termo de Adendo ao Protocolo de Intenções, termo pomposo para um acordo entre a CBF, ainda com Ricardo Teixeira, e o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais da Justiça, em 2008. Nenhum deles tem poder legislativo, diferente do Estatuto do Torcedor, que versa sobre o assunto no artigo 13-A, sobre as condições para “acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo”:
“Não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”.
O Estatuto do Torcedor é ignorado com irritante frequência por aqui. Os clubes, por exemplo, querem fazer isso para que o Campeonato Brasileiro volte a ser disputado no sistema de mata-mata. Mas, acima de tudo, o artigo é muito vago e passível de interpretação. E não pode ser assim. “Qualquer norma restritiva tem que ser objetiva”, afirma o advogado Pedro Trengrouse, consultor das Nações Unidas sobre legislação esportiva, coordenador de uma pós-graduação sobre o tema na FGV e ex-representante de clubes como Fluminense, Flamengo e São Paulo. “Tem que dizer o que não pode. Não cabe interpretação. Para normas restritivas, o princípio é não interpretar. A interpretação tem que ser literal”.
É com essa brecha que a Odebrecht justifica a venda de cervejas na Fonte Nova, de acordo com a Lei Estadual do ex-deputado João Bonfim. “É importante destacar que não existe ‘lei nacional’ que regulamenta ou impeça o consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios”, explica. “O Estatuto do Torcedor é a lei federal que mais se aproxima da abordagem do tema, mas o texto não regulamenta a questão, nem proíbe expressa ou diretamente a venda de bebidas alcoólicas”.
A hierarquia das leis está sendo bastante discutida em Porto Alegre porque o projeto de lei do vereador Alceu Brasinha anularia uma lei estadual que proíbe a comercialização de álcool nos estádios. Um parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal da capital gaúcha alega que é competência do município “exercer o papel de polícia administrativa nas matérias de interesse local”. Ou seja, nesses casos poderia ignorar leis superiores, como estaduais e federais. Eduardo Carrion, professor de direito constitucional da UFRGS, defendeu em entrevista à Zero Hora, que se trata de um caso de saúde pública e, portanto, vale a lei do mais forte.
Antes de ficar famoso por montar listas de suspeitos de corrupção, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu o seu pitaco sobre o assunto. Entrou com uma “ação direta de inconstitucionalidade” no Supremo Tribunal Federal contra a lei baiana porque ela “extrapola os limites da competência legislativa concorrente”. Em juridiquês, isso significa que a Assembleia Legislativa do estado não pode contradizer a legislação federal, no caso, o Estatuto do Torcedor. “Foi não só inconstitucional como extremamente infeliz e sociologicamente inadequada. A permissão contida na lei baiana expõe a riscos a segurança e a integridade dos torcedores-consumidores e dificulta fortemente a prevenção de episódios de violência em tais eventos e a repressão a eles”, justifica. Mas será que dificulta mesmo?
O que o álcool tem a ver com a violência?
O professor Murad tem em mãos relatórios médicos que comprovam: o álcool acentua a violência nas pessoas, em todos os âmbitos, do trânsito ao futebol. A conta, portanto, é simples. Quanto mais agressividade, maior a possibilidade de confrontos dentro dos estádios. Não deveria ser assim, mas os jogos são, de fato, ambientes já propensos a brigas por causa da rivalidade e da tensão.
“O controle do álcool é necessário”, afirma. “Não é milagroso, mas somando-se a outras medidas, pode contribuir para o fim da violência nos estádios. Eu costumo dizer que a violência no futebol é complexa e multi-facetada. Como não tem causa única, não tem solução única. Agora, não adianta a hipocrisia de proibir a bebida dentro dos estádios e vender na porta. Precisa haver um controle dentro e fora, em um raio grande. O padrão internacional prevê cinco quilômetros.”
Porque é exatamente o que costuma acontecer. Os torcedores fazem um “esquenta” na entrada dos estádios antes das partidas. O que é mais problemático do que parece, pois as consequências de beber fora do ambiente controlado dos estádios são piores porque são mais difíceis de serem controladas. As pessoas consomem mais porque o efeito precisa durar 90 minutos; entram todos ao mesmo tempo e de última hora, causando tumultos nas catracas; consomem longe dos estádios, onde não há aparatos de segurança para controlar potenciais brigas. Por isso, Trengrouse considera que vender cerveja seja melhor. “Fiz um estudo sobre isso, inclusive levando em consideração a experiência inglesa, a mais bem documentada sobre o assunto, e percebi que a restrição ao consumo de bebida alcoólica no estádio é prejudicial à segurança pública”, afirma.
Quando é proibido beber nos estádios, aumenta o consumo de bebidas mais fortes, como Tequila (Foto: AP)
Quando é proibido beber nos estádios, aumenta o consumo de bebidas mais fortes, como Tequila (Foto: AP)
A proposta de Murad para evitar os danos do consumo fora do estádio é polêmica: um bafômetro para impedir o acesso de pessoas alcoolizadas aos jogos de futebol. O estádio Nicolas Leoz, em Assunção, usa esse artifício, e em 2013, palmeirenses foram impedidos de assistir ao duelo do time deles contra o Libertad. “Uma medida complementa a outra: proibição dentro do estádio, controle fora do estádio e bafômetro para a entrada”, explica o pesquisador. “Acho que a experiência do bafômetro no trânsito tem sido vitoriosa nesse sentido. Aqui no Rio de Janeiro, a Lei Seca diminuiu em mais de 70% os índices de violência e acidentes no trânsito. É algo a se pensar.”
O hooliganismo inglês, citado por Trengrouse, sempre foi muito creditado ao álcool, tanto que uma lei proibiu o consumo dessa substância “no raio de visão do campo” em 1985. Ou seja, o torcedor pode beber à vontade nas lanchonetes e nos corredores, mas será punido se levar o copo ao assento. Não faz muito sentido, e o que conseguiu dar um jeito nos briguentos ingleses não foi essa determinação, mas o Relatório Taylor, publicado quatro anos depois, por causa da Tragédia de Hillsborough.
O pesquisador inglês Geoff Pearson analisou o comportamento dos torcedores britânicos para um estudo chamado “Uma etnografia dos torcedores ingleses – latinhas, policiais e carnavais” chega às mesmas conclusões de Trengrouse. Além disso, questiona porque torcidas com fama de beberem bastante, como os escoceses, os irlandeses e os dinamarqueses, não são particularmente violentas. Nessa mesma linha de raciocínio, por que não existem brigas frequentes em jogos de rúgbi e críquete, nos quais o álcool compõe a tradição do esporte?
“Tem muito tabu e nenhuma objetividade nessa questão”, continua Trengrouse. “Não há nenhuma relação entre cerveja e violência no estádio, nenhum estudo que comprove isso. No Mineirão, há um estudo que mostra que depois da restrição houve um aumento de delitos relacionados à bebida. Os grandes problemas que o futebol mundial viveu nos últimos anos não tiveram nada a ver com bebida”.
No Brasil, a maioria das mortes não teve sequer a ver com o jogo. De acordo um levantamento do jornal LANCE!, apenas nove das últimas 275 mortes ligadas ao futebol aconteceram dentro dos estádios. A última foi em 2007, no Mineirão. Para Murad, o álcool contribui para a criação de um ambiente de agressividade que acaba causando mortes e violência nos caminhos de ida e volta para o estádio. “A população pacífica fica ao sabor dessas facções minoritárias que são gangues dentro das organizadas, onde há muito consumo de drogas e de armas brancas”.
A conta, para ele, mais uma vez é simples: a liberdade individual de tomar uma cerveja durante o jogo não compensa os malefícios que o álcool pode levar ao estádio de futebol. “Quando houve a proibição de fumar dentro do avião, falavam do direito da pessoa, que não conseguiria passar tanto tempo sem fumar. Hoje as pessoas ficam, porque se constatou, por pesquisas médicas, que o malefício pode ser muito maior que aquele direito” exemplifica. “Acho uma comparação possível a se fazer. O controle, em um primeiro momento, pode ser até um pouco excessivo, mas um excesso que pode ser flexibilizado”.
O excesso no outro lado da história é o cerne da questão para Pedro Trengrouse. Ele lembra que a embriaguez ainda é uma contravenção penal e que o consumo exagerado de álcool é o ponto fora da curva. E é muito mais fácil controlar o beberrão dentro das dependências do estádio do que na rua. “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, filosofa. “Qualquer coisa em excesso pode ser prejudicial à saúde. Se o problema é o excesso, vamos combater isso controlando. É muito mais fácil controlar dentro do estádio, quando você sabe o que está vendendo, qual o preço que está vendendo.”
São duas visões para combater a violência no futebol brasileiro. De vez em quando, o álcool pode contribuir para ela, embora a bebida seja um protagonista ocasional, aquela estrela que aparece em uma ou duas cenas de uma temporada. As torcidas organizadas brigam porque gostam de brigar, com ou sem cerveja, dentro ou fora do estádio, no Brasil ou em Marte. E como frisou Trengrouse, nenhum estudo conseguiu relacionar diretamente a proibição à queda da violência no esporte. Afinal, quase sete anos depois, continuamos com as mesmas discussões, na mesma missão ingrata de controlar a estupidez das pessoas. E às vezes elas serão estúpidas, estejam bêbadas ou sóbrias, e isso é muito difícil de evitar.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cashless - A revolução da fidelização

ArenaPlan Consultoria Tecnológica e Financeira de Areas Esportivas


O futuro dos meios de pagamento
Foto do serviço no estádio do Shakhtar DonetskO futuro das novas e velhas arenas, dos clubes de futebol, de vôlei ou basquete e até dos pagamentos em shoppings e escolas passará por aqui. É impressionante como o Brasil só dá um passo a frente depois que o mundo inteiro passa a adotar uma nova tecnologia. Uma delas é a solução deCashless, no Brasil chamada de “meio de pagamento”.  Cashless é a forma de receber pagamentos sem dinheiro vivo, seja por uso de cartões de fidelização com apoio da internet ou por meio de celulares, ou até mesmo com cartões com código de barras.


Foto do atendente recebendo pagamento dos clientes
no estádio do Shakhtar Donetsk 

 

Os tipos de consumo diferentes

Existem dezenas de maneiras diferentes de trabalhar o Cashless. O objetivo princip
al é oferecer comodidade aos clientes e diminuir as filas, acelerando o tempo de pagamento e claro, agregar serviços à fidelização. Talvez este último já tenha virado uma lenda na indústria do marketing esportivo no Brasil. Principalmente quando falamos de clubes de futebol. Os clubes até hoje tentam vender planos de fidelidade, ou melhor, planos sócio-torcedor que agregam apenas o benefício de oferecer descontos nos ingressos. Um serviço que é limitado, que fica sujeito às boas performances do time em campo, e ainda existem planos que nem isso oferecem. O ideal é oferecer mais benefícios e vantagens aos clientes. Afinal pode ser interessante ser associado mesmo não indo frequentemente ao local dos jogos e, ainda assim, utilizar o sistema para realizar pagamentos no shopping que poderia estar ao lado do estádio, participar de sorteios de brindes, ganhar pontos pelo consumo, ganhar ingressos grátis e descontos em uma linha diversa de produtos, seja no local da partida ou em qualquer loja que esteja agregada ao projeto, estando no local ou distante dele. O importante aqui também é surpreender os clientes e fazê-los pensar que ser associado não é para apenas ter uma cadeira no estádio ou ajudar seu clube do coração, mas ter serviços diferenciados.

Do consumo à segmentação
O serviço de Cashless já chegou no Brasil há alguns anos, mas de forma disfarçada e tímida nas escolas, seja por uso de cartões com código de barras ou uso de cartões magnéticos, eles oferecem a possibilidade de fazer o carregamento de valores até pela internet. Desta maneira pode-se oferecer um benefício e comodidade aos pais que dão a seus filhos um cartão pré-pago para eles utilizarem nas cantinas das escolas. O segundo benefício oferecido foi acompanhar o consumo dos filhos pela internet. Porém trabalhar os dados de consumo gerados ainda hoje é uma realidade bem distante. No sistema de Cashless tradicional o objetivo é carregar os valores que vai consumir em um jogo ou entretenimento e poder ter filas mais rápidas para pagamento, pois o mecanismo não precisa de senhas. Em geral basta encostar o cartão em um terminal PDV que reconhece o cliente e o seu saldo, realizando o pagamento automaticamente. Este simples processo poderia ser utilizado em qualquer loja, cantina ou restaurante, seja em casas noturnas, escolas, shoppings, ginásios esportivos ou estádios. O mais interessante para o gestor é a possibilidade de trabalhar os dados de consumo, e depois segmentar o público em perfis de marketing diferentes, utilizado depois para campanhas pela internet ou mensagens SMS. Outro benefício imediato é o aumento do consumo nos bares. Filas menores geram mais consumo. Na Alemanha houve mais de 10% de crescimento de receitas após a implantação do serviço.

O CASHLESS no mundo

Cada país no exterior tem sua modalidade diferente de Cashlessmais utilizada. Nos EUA ainda é muito comum usar um cartão com código de barras para pagar seu consumo em parques, ginásios de basquete ou arenas de futebol americano. Na Europa, eles utilizam mais cartões de proximidade, o conhecido RFID Myfare, com carregamento pela internet, utilizando máquinas caras para carregamento e consulta de saldo dentro do local, semelhantes aos do metrô de São Paulo. Praticamente todos os estádios da primeira e segunda divisão da Alemanha já possuem o sistema. Na Inglaterra estão caminhando nessa direção. No Japão os celulares avançados são a estrela, e eles os utilizam até para pagamento do metrô. No Brasil nenhum estádio ainda usa solução Cashless, nem os novos estádios da copa do mundo. É terrível fazer parte de um país de terceiro mundo. Eu digo isso porque a Arenaplan lançou este mesmo sistema, dispensando as máquinas caras para carregamento e consulta dentro dos estádios, com a tecnologia mais inovadora do mundo, baseado em plataforma Mobile, com PDV´s portáteis para atendimento móvel até nas arquibancadas ou restaurantes e, mesmo assim, ainda precisamos ensinar para nossos clientes o que significa a palavra "Cashless". 

O segredo é o conteúdo e bons serviços

Em um país onde se agridem e remuneram mal os professores é difícil querer investir em inovações. Nos EUA e Japão a cultura do "chegar primeiro" é parte do objetivo dos vencedores. No Brasil, mesmo se conhecendo os benefícios, as vantagens e os baixos custos do processo, eles ainda cobram cases de sucesso em um país que nunca gostou de modernidade. Onde arrumar os cases de sucesso? Quem será o primeiro a implantá-lo? No primeiro mundo isso seria uma grande oportunidade. Chegar primeiro é uma bênção dos Deuses. Outro detalhe importante. O hábito de tratar as informações e segmentar os clientes deveria ser obrigatório. Ainda mais em um mercado de entretenimento, como é o futebol. O brasileiro ainda não entendeu que o novo consumidor quer conteúdo. Se você leva para ele serviços diferenciados, usando seu próprio celular, ele poderia ter acesso à programação e dados das partidas, antes, durante e depois do evento. Surpreendê-los com mensagens de brindes para pegar na loja do clube no local, logo após a vitória do seu clube aumentaria sua experiência esportiva. Ações como esta podem transformar um torcedor esporádico em um ávido consumidor de produtos do clube e com presença assídua. Foi assim que a Alemanha atingiu índices de quase 100% de ocupação dos estádios. Interatividade e conteúdo é o segredo do futuro para o esporte. Os gestores poderão comercializar campanhas de marketing personalizadas, baseadas no perfil de consumo do consumidor e ampliar suas receitas. Ninguém colocou isso nos planos de negócio das novas arenas. Os consumidores por si ampliarão sua presença e vão querer cada vez mais serviços. E tudo isso pode começar levando um simples serviço de pagamento fácil para o seu celular. 

Por Márdel Cardoso é diretor da Arenaplan Consultoria. Gerente de projetos, bacharel em Ciência da Computação pela PUC-MG, MIT-Master Information Tecnology pela Fiap-SP, Gestão de Arenas pela Trevisan e Marketing Esportivo pela Uniara. Especialista em estudo de viabilidade financeira de arenas. Professor em Gestão de Projetos e Empreendedorismo pela Uninove de São Paulo. Autor de 2 livros. 


Email:  mardel@arenaplan.com.br 
Twitter: @arenaplanFacebook: http://www.facebook.com.br/arenaplanconsultoria

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Quanto custa ir a todos os jogos do Brasil na Copa?

Atualizado em  2 de setembro, 2013 - 05:11 (Brasília) 08:11 GMT
Maracanã / AFP
Torcedor teria de gastar mais de R$ 10 mil para acompanhar todos os jogos do Brasil na Copa
Ver o Brasil ser hexacampeão do mundo em casa e in loco é um sonho que o torcedor brasileiro alimenta desde a escolha do país como sede da próxima Copa. Mas realizá-lo no ano que vem vai depender do desempenho da Seleção e de um bom planejamento financeiro.
Se somar os valores de ingressos (os mais baratos) a um gasto mínimo com alimentação, passagens aéreas e hospedagem (a mais modesta), o brasileiro vai gastar mais de R$ 10 mil para acompanhar o Brasil até a final da Copa.
A BBC Brasil fez um cálculo estimando quanto um torcedor gastaria para ver os sete possíveis jogos da Seleção no Mundial de 2014, considerando São Paulo como ponto de partida e com setembro como marco inicial da aventura, com a compra de ingressos, passagens e reservas de hotéis feitas com bastante antecedência.
Como o primeiro jogo do Brasil será em São Paulo, o gasto inicial se resumiria ao ingresso para a partida. A partir de então, se a Seleção avançar, a maratona do torcedor vai incluir viagens a Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte, de novo Fortaleza e Belo Horizonte, até a final, no Rio de Janeiro.
Os custos com as passagens aéreas para todos esses lugares são os que mais vão pesar no bolso. Se o torcedor reservasse os voos hoje, com quase dez meses de antecedência, gastaria R$ 5.264 para viajar de São Paulo ao local do jogo no dia da partida e voltar na manhã seguinte.
O segundo item que mais encarece o custo da aventura é a hospedagem. De acordo com os valores dos hotéis já disponíveis para reserva pelo site da Fifa, e considerando-se as diárias mais baratas, o torcedor gastará R$ 3.741 para passar uma noite em cada local de jogo.
Por conta da Copa, e da expectativa de grande procura, o valor da hospedagem está inflacionado, mas a Embratur já faz um apelo por redução. Os hotéis estão exigindo reservas de pelo menos duas diárias para o Mundial, regra que o Ministério do Turismo também pretende mudar até o ano que vem.
"É natural esse aumento, é uma coisa natural da indústria do turismo para grandes eventos. Por isso, o ideal é tentar fechar tudo até o final do ano, porque depois vai ficar ainda mais caro", alerta o economista Samy Dana.
Para finalizar a conta, os ingressos. Comprando-se bilhetes da categoria mais barata – exclusiva para brasileiros - outros R$ 1.270 serão acrescentados nos gastos para acompanhar a Seleção até a final em 2014.
Caso o torcedor tenha direito a meia-entrada, esse valor cai para menos da metade, R$ 555.
Vale acrescentar R$ 20 por jogo ao plano de gastos para comprar um cachorro-quente (R$ 8, seguindo os padrões da Copa das Confederações) e uma cerveja (R$ 12).
Com tudo isso, o investimento para acompanhar um possível hexacampeonato da seleção in loco no ano que vem será de pelo menos R$ 10.415 (ou R$ 9,7 mil para aqueles com direito à meia-entrada).
JogosPassagensHospedagensIngresso
Abertura (São Paulo)
--R$ 160
2º jogo (Fortaleza)R$ 1.535R$ 591
R$ 60
3º jogo (Brasília)R$ 803R$ 935R$ 60
Oitavas (Belo Horizonte)R$ 281R$ 360R$ 110
Quartas (Fortaleza)R$ 1.535R$ 591R$ 170
Semi (Belo Horizonte)R$ 399R$ 360R$ 220
Final (Rio)R$ 711R$ 904R$ 330

Para economizar

Diante da perspectiva de gastos elevados para ver o Brasil na Copa, é natural que o torcedor saia à procura de alternativas para economizar.
Torcedor brasileiro / Reuters
Torcedor precisa se organizar com antecedência se quiser pagar menos, diz especialista
Uma boa estratégia para gastar menos é desistir da hospedagem e fazer uma viagem de ida e volta nos dias dos jogos para acompanhar a Seleção. Assim, apesar de investir um pouco mais em passagens (R$ 5.669), o torcedor pode economizar mais de R$ 2 mil.
Neste caso, indo e voltando no mesmo dia, a conta passa a fechar em R$ 7.079, incluindo passagens, ingressos e R$ 20 para gastar no estádio - ou R$ 6.364 se o torcedor pagar meia-entrada.
O consultor francês Jean-Claude Fernandes, que viajou pelo Brasil para acompanhar sete jogos da Copa das Confederações, já planeja seu retorno ao país no Mundial e lista outras dicas para amenizar um pouco os gastos no ano que vem.
"Dá para alugar um quarto ou um apartamento em vez de ficar em hotel. Viajar com os amigos também ajuda a dividir as contas. Ir de ônibus para os lugares mais próximos pode ser uma opção também", afirma Jean-Claude, em entrevista à BBC Brasil.
O francês reconhece que acompanhar o Mundial de perto é algo que exige um esforço financeiro grande. Só na Copa das Confederações, entre passagens aéreas, ingressos (de categoria 1 e 2, as mais caras), hospedagens e alimentação, ele gastou cerca de 5 mil euros (mais de R$ 15 mil).
Para o Mundial do ano que vem, ele prevê gastar o dobro. "A Copa das Confederações foi um investimento pessoal e profissional, mas foram 5 mil euros, nem tirei férias por isso. Desta vez, vou ter que gastar bem mais, uns 10 mil euros. Infelizmente, a Copa do Mundo é um evento para ricos mesmo, é uma festa de luxo", lamenta.